CERCA DE 500 DELEGADOS E DIRIGENTES REUNIDOS EM TENTÚGAL
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional reafirmou, nesta sexta-feira, como uma das suas prioridades, a urgência em avançar na luta por salários e trabalhadores valorizados, pela recuperação das carreiras e por melhores condições de vida e de trabalho, e o reforço dos Serviços Públicos.
Os cerca de meio milhar de participantes na 5.ª Conferência Sindical afirmaram o compromisso de intensificar a mobilização e a organização da luta dos trabalhadores da Administração Local e Regional pela reposição e conquista de direitos, pelo aumento de salários, por melhores condições de vida e de trabalho, pelo reforço do Poder Local Democrático e das Funções Sociais do Estado.
Este encontro assumiu-se como um importante momento de reflexão e de discussão colectiva do STAL sobre os principais problemas que afectam os trabalhadores da Administração Local e Regional, bem como de análise das políticas do actual governo PSD-CDS e da situação económica e social do País, na perspectiva da necessidade urgente de valorização do trabalho e dos trabalhadores deste importante sector da Administração Pública, que emprega cerca de 170 mil trabalhadores.
A afirmação do Poder Local Democrático – que, em 12 de Dezembro, festeja os 50 anos das primeiras eleições autárquicas –, conquista de Abril; a descentralização e a regionalização, bem como as orientações para o reforço da acção do STAL foram outros dos temas em destaque nesta 5.ª Conferência Sindical, cuja sessão de encerramento contou com a intervenção do secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira.
O dirigente da Intersindical, salientando que os trabalhadores «estão colocados perante verdadeiros desafios, quer no plano nacional, quer também no Internacional», apontou criticamente ao Governo ao afirmar que «só quem sente na pele do seu dia-a-dia aquilo que vivem os trabalhadores é que poderá legislar conforme a vontade dos trabalhadores; deviam ouvir quem trabalha, viver a vida de quem trabalha para perceber as dificuldades que enfrentam diariamente».
Tiago Oliveira alertou, ainda, que «é preciso desconstruir a retórica de que quem diz que, se os nossos salários não sobem, e se as rendas e os preços das casas estão altas, isso deve-se a quem vem de fora e aceita trabalhar por salários mais baixos. A verdade é que tudo isso se deve à exploração e à especulação pelo lucro fácil, e isso eles não dizem!l»
Já a presidente do STAL (Cristina Torres), por seu lado, criticando “a ideologia dominante que promove o individualismo, a ignorância, o preconceito, o ódio e a indiferença”, alerta que “o grande capital está sentado à mesa do Conselho de Ministros e na maioria das cadeiras da Assembleia da República”, pelo que considera não ser surpresa “a insistência do Governo na política de direita, cujo resultado é que os portugueses, em geral, e os trabalhadores, em particular, estão mais pobres, enquanto os grandes grupos económicos, o grande capital da banca e dos seguros, da energia, da grande distribuição acumulam diariamente lucros colossais”.
A dirigente do STAL salienta, ainda, que, apesar de “o Governo e a sua bem oleada máquina de propaganda anunciarem que o País nunca esteve tão bem, a propaganda esbarra na realidade da vida: a cada semana que passa, aumentam o combustível e os alimentos, aumentam os juros e as rendas da habitação”, pelo que defende que “o que falta é aumentar os impostos sobre os lucros, limitar os preços dos bens essenciais, e aumentar os salários e as pensões, já e com efeitos retroactivos”.
Nesta 5.ª Conferência foram aprovadas quatro moções (“50 anos da Constituição e das primeiras eleições autárquicas livres»; “Concretizar a Regionalização”; “Pela Democracia e os valores de Abril - Combate à Extrema-Direita»; e “Pela Paz, não à guerra!” –, reafirmando o STAL que a luta continua e vai intensificar-se já em Outubro – nos dias 2 (deslocação da FNSTFPS, o STAL e o STML entre a Pç. Figueira e o Ministério das Finanças, pela valorização de todas as carreiras e profissões da Administração Pública) e 17 (manifestações promovidas pela CGTP-IN no Porto, Coimbra e Lisboa, por melhores salários e de protesto contra o elevado custo de vida) –, acompanhando as prioridades da política reivindicativa apresentada pela CGTP-IN e as exigências que constam da “Proposta Reivindicativa Comum” da Frente Comum para 2027, que será entregue ao Governo no próximo dia 30.
MOÇÕES APROVADAS
DEFENDER ABRIL. VALORIZAR OS TRABALHADORES. FORTALECER O PODER LOCAL DEMOCRÁTICO
PELA DEMOCRACIA E OS VALORES DE ABRIL – COMBATE À EXTREMA-DIREITA
PELA PAZ, CONTRA A GUERRA. NÃO AO NEGÓCIO DA DESTRUIÇÃO E DA MORTE. PELA VIDA HUMANA!
DOCUMENTO-BASE FINAL DA V CONFERÊNCIA SINDICAL DO STAL
INTERVENÇÕES CENTRAIS
» Abertura - Cristina Torres (Presidente do STAL)
» Defender a CRP - exercício da actividade sindical - Carlos Martins (Comissão Executiva)
» Vale a pena lutar - José Santana (Comissão Executiva)
» Valorizar salários, Carreiras e Profissões / ACEP - Elsa Arruda (Comissão Executiva)
» Comunicação, informação e propaganda - Carlos Fernandes (Comissão Executiva)
» Mais STAL em todos os locais de trabalho - Vanda Figueiredo (Comissão Executiva)
» A.D.S.E., CGA / Segurança Social - Ludovina Sousa ( Comissão Executiva)
» Contratação colectiva no SEL – reforçar e garantir direitos - Vasco Santana (Comissão Executiva)
» Combater a precariedade. Garantir vínculos efectivos - Mariana Violante (Comissão Executiva)
