CIRCUITO NACIONAL DOS RESÍDUOS E HIGIENE URBANA
O STAL promoveu, entre Setembro e Novembro, uma campanha de contacto e esclarecimento com trabalhadores do sector, bem como junto das autarquias e populações que servem, para alertar para as condições de trabalho e de vida destes trabalhadores.
Trata-se de um sector marcado pelos baixos salários e elevada precariedade, sobretudo nas empresas concessionárias e pela sucessão de empregadores, o que cria situações de grande fragilidade entre os trabalhadores, que frequentemente receiam quanto à sua situação profissional.
No caso dos resíduos, é uma actividade insalubre, penosa e arriscada, feita de dia e noite, com ritmo intenso e transporte de cargas pesadas, implicando grande esforço físico.
Também a exposição a condições climatéricas adversas, ao ruído e aos resíduos agrava, significativamente, os riscos para a sua saúde, a que acrescem os perigos inerentes de operar maquinaria pesada e de atropelamento, por exemplo, durante a noite.
É uma das profissões mais perigosas e com expectativas mais curtas de vida saudável. Porém, os trabalhadores recebem salários de miséria e são sujeitos à polivalência, precariedade, despedimentos abusivos, desrespeito pelos seus direitos, insuficiente ou ausência de reconhecimento e compensação da insalubridade, penosidade e risco, a que se somam os ataques à acção sindical e o bloqueio da negociação e da contratação colectiva.
SERVIÇOS PÚBLICOS NÃO SÃO MERCADORIA!
A transformação em negócio dos Serviços Públicos – como a Saúde, Educação, Água, Saneamento e Resíduos – significa que serão as populações a arcar com todos os pesados encargos. Significa, também, substituir a missão/função que sustenta o Serviço Público – maximizar o bem-estar social e valorizar os trabalhadores – pelo único objectivo dos privados: obtenção de lucros “chorudos” e a sua distribuição pelos accionistas.
Daí que, a par do objectivo central deste “Circuito Nacional” promovido pelo STAL, a iniciativa visou, também, para alertar as populações para a importância da gestão pública dos Serviços Públicos, que não podem ser vistos como “mercadorias”, bem como esclarecer e apelar à sua solidariedade para a importância do reconhecimento e valorização profissional destes trabalhadores, cuja actividade é essencial para garantir o ambiente, a Saúde Pública e a qualidade de vida das populações.