JST133 P18 InternacionalA UE GASTA MAIS EM ARMAS DO QUE EM SAÚDE, EDUCAÇÃO, HABITAÇÃO E PENSÕES

"O capitalismo carrega a guerra dentro de si como uma nuvem carrega uma tempestade." Jean Jaurés 

Os “senhores do Mundo” apostam em desencadear a tempestade global. Diante da perspectiva de perda de hegemonia para outros actores, as oligarquias tornam-se mais perigosas. Enquanto procuram por todos os meios convencer-nos de que representam a Paz e a razão, preparam a máquina para reconfigurar o Mundo por meio de uma guerra global, convencidos de que é a única maneira de garantir o poder.

As evidências estão à vista. Os Estados Unidos, Reino Unido e a União Europeia, à cabeça, são responsáveis por 70% da despesa militar global, e não há conflito em que não estejam envolvidos, de uma forma ou de outra, dirigindo directa ou indirectamente combates, golpes de estado, falsas revoluções, genocídios, embargos, bloqueios, acções terroristas, sanções, etc.

Conseguem alimentar militarmente e proteger mediaticamente o “monstro” sionista de Israel, que assassinou mais de 70 mil palestinianos nos últimos três anos, que ataca o Irão e o Líbano, enquanto disparam sanções e fustigam qualquer país que se desmarque da lógica imperialista.

A NATO, que nunca foi e não é um instrumento de Paz, dispõe de um orçamento que ultrapassa 2% do PIB mundial, conta com uma densa rede de mais de mil bases e instalações militares, entre as declaradas e não declaradas, em 63 países, em particular à volta daqueles que recusam submeter-se, e tropas em 165 países, muitas vezes sob o “chapéu” da ONU, lançando a confusão sobre o papel desta importante instituição.

GOVERNO “ATRELADO” AOS EUA E À UE
Esta ofensiva, em que quem ganha são a indústria bélica e os especuladores, do combustível ou dos alimentos, é reforçada pela intervenção do FMI e do Banco Mundial, que completam os mecanismos para castigar os países que resistem com sanções e programas de austeridade, redução da despesa pública, privatizações, defesa fanática do livre mercado, com permanentes desregulações de bens e capitais, corte de salários e precarização do trabalho.

O nosso país não é alheio a esta deriva antidemocrática, nem está imune aos eventuais efeitos desta guerra global que o imperialismo procura empenhadamente. Pelo contrário, apesar da firme rejeição por parte dos trabalhadores da guerra, da NATO e da sua agenda, o Governo continua atrelado aos ditames dos EUA e da UE.

A cedência da base das Lajes aos EUA, no âmbito dos ataques contra o Irão, é disso exemplo. Os perigos e as consequências destas opções para o investimento público em áreas como a Saúde, a Educação, a Protecção Social, a Habitação e os Transportes serão dramáticos.

O ÚNICO FUTURO É A PAZ
A Paz que nos dará um futuro é uma Paz que ainda não existe, e que deverá ser construída sobre a derrota do imperialismo e do seu braço armado, a NATO. O movimento sindical tem uma longa tradição de defesa da Paz. A luta por salários, trabalho com direitos e Serviços Públicos está intimamente ligada à rejeição da guerra e da corrida armamentista. Cada euro desviado para as armas é um euro que deixa de ser investido no combate às desigualdades e na melhoria das condições de vida e de trabalho.
A Paz é uma condição indispensável para o progresso social, para o desenvolvimento e para a garantia dos direitos humanos.

Perante o brutal aumento do custo de vida, a normalização da guerra e a crescente militarização, é necessário exigir políticas que coloquem as pessoas acima dos interesses que alimentam os conflitos.

Num momento em que um em cada dez trabalhadores vive em zonas de conflito, é necessário gritar que a Paz é um bem supremo e os recursos de todos devem ser colocados ao serviço do bem-estar colectivo, e não da guerra.

A Paz, os direitos sociais e a justiça económica são objectivos inseparáveis da luta sindical e dos trabalhadores, «porque um Mundo conduzido pelos seus piores instintos pode dar o passo para a única das guerras onde de facto não há vencedores: a guerra termonuclear que extinguiria a Humanidade»

ARMAS VS. FUNÇÕES SOCIAIS
O anunciado rearmamento da Europa, no valor de 800 mil milhões de euros, ao qual se somam os milhares de milhões enviados para a guerra na Ucrânia, que acelera e alastra perigosamente, é incomparavelmente superior ao que se gasta em Saúde, Educação, Habitação, pensões, e ao que foi gasto para enfrentar crises como a de Covid-19.

 

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